54,6% dos jornalistas da Serra Gaúcha veem futuro com incerteza
Resultados do 1º Censo do Jornalismo promovido pela ARI Serra Gaúcha provocam debate sobre as transformações da profissão, os desafios do mercado de trabalho e as perspectivas de carreira

Mais da metade dos jornalistas que participaram do 1º Censo do Jornalismo da Serra Gaúcha considera incerto o futuro da profissão. A percepção foi apontada por 54,6% dos respondentes e está entre os principais resultados do levantamento, que traçou um panorama do perfil profissional e socioeconômico da categoria na região. Os dados foram apresentados em primeira mão no dia 7 de novembro, durante o 1º Encontro de Jornalismo da Serra Gaúcha, promovido pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI) – Seccional Serra Gaúcha, com apoio institucional da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e apoio da Macaw Marketing Vivo.
A pesquisa reuniu respostas de 183 jornalistas e profissionais vinculados ao jornalismo nos municípios integrantes do Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra). Com 41 perguntas e análises organizadas em 12 capítulos, o relatório apresenta um retrato das experiências, percepções e expectativas dos participantes em relação ao exercício da profissão. O documento combina dados quantitativos, cruzamentos entre variáveis e análises qualitativas de respostas abertas, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre a realidade dos profissionais, identificar tendências e contribuir para o debate sobre os rumos do jornalismo regional.
Um mercado em transformação
Os resultados evidenciam a diversidade de áreas de atuação dos jornalistas. Entre os participantes, a assessoria de imprensa aparece como a principal área de atuação jornalística, com 50 respondentes (27,3%). Na sequência estão rádio, com 32 participantes (17,5%), e internet e mídias digitais, com 31 (16,9%).
O relatório também examina as diferentes formas de inserção no mercado de trabalho, os vínculos profissionais, a jornada, a renda e as estratégias adotadas para construir e manter uma carreira. As informações ajudam a compreender um cenário em que os jornalistas atuam em ambientes diversos e precisam lidar com mudanças nas relações de trabalho e nas formas de produção e circulação da informação.
Satisfação profissional em meio aos desafios
Embora 61,2% dos participantes se declarem satisfeitos ou muito satisfeitos com a carreira atual, o levantamento também revela desafios relacionados à sustentabilidade profissional e às condições de trabalho. Entre os 183 respondentes, 80 (43,7%) possuem mais de uma fonte de renda relacionada à comunicação. Produção de conteúdo, assessoria de imprensa, trabalho freelancer e ensino estão entre as atividades complementares mais citadas. O dado evidencia a diversificação das trajetórias profissionais e coloca em discussão as possibilidades de construir uma carreira financeiramente sustentável a partir de uma única atividade.
As preocupações com o bem-estar também aparecem com destaque. O estresse foi mencionado por 64,9% dos participantes que responderam à questão sobre os fatores que afetam seu bem-estar, enquanto 51,7% apontaram a instabilidade financeira. A carga horária e a pressão por resultados também estão entre os aspectos citados.
A combinação desses resultados revela uma realidade complexa: mesmo diante de desafios relacionados à renda, à organização do trabalho e ao bem-estar, a satisfação com a carreira permanece predominante entre os respondentes. Os indicadores reforçam a importância de discutir não apenas as perspectivas para o futuro do Jornalismo, mas também as condições econômicas e profissionais necessárias para o exercício da atividade.
Perspectivas para o futuro
Além dos 54,6% que consideram incerto o futuro do Jornalismo, 27,3% dos respondentes demonstraram uma percepção positiva ou muito positiva, enquanto 18% manifestaram uma visão negativa ou muito negativa. O resultado evidencia que, embora a incerteza seja predominante, as perspectivas dos profissionais não são homogêneas.
As transformações tecnológicas, o avanço da inteligência artificial, a necessidade de atualização profissional e a diversificação das carreiras estão entre os assuntos explorados no relatório. O levantamento também reúne reflexões dos próprios participantes sobre os desafios da profissão, as mudanças no mercado e as possibilidades de atuação. Esses relatos complementam os indicadores e ajudam a contextualizar as experiências de quem vive cotidianamente as transformações do Jornalismo.
Os resultados foram apresentados e discutidos durante o 1º Encontro de Jornalismo da Serra Gaúcha, que teve como tema “Caminhos Possíveis”. A programação incluiu o debate “O Jornalismo que Temos, o Jornalismo que Queremos”, com participação das jornalistas Ana Maria Acker e Andreia Fontana e mediação de Diego Adami. A conversa abordou questões relacionadas à formação profissional, às condições de trabalho, às transformações do mercado e aos caminhos para o futuro da atividade.
Uma iniciativa para conhecer e fortalecer a profissão
A realização do primeiro Censo do Jornalismo da Serra Gaúcha integra o compromisso da ARI Serra Gaúcha com a escuta dos profissionais, a produção de conhecimento e o fortalecimento da representação da categoria. Para a presidente da entidade, Lisete Alberici Oselame, entender o que pensam e como atuam os jornalistas é uma condição importante para desenvolver iniciativas alinhadas às necessidades dos profissionais e qualificar a discussão sobre o futuro da atividade. “Conhecer a realidade de quem faz Jornalismo na Serra Gaúcha é fundamental para compreender os desafios da profissão e pensar em iniciativas que contribuam para o seu fortalecimento. O Censo nos permite olhar para a categoria a partir das experiências dos próprios profissionais, identificar questões que precisam ser debatidas e construir uma base de conhecimento para orientar nossas ações. Queremos estimular a reflexão e ampliar o diálogo sobre as condições de trabalho, a valorização profissional e os caminhos para o futuro do Jornalismo na região.”
O relatório foi elaborado a partir das respostas coletadas entre 26 de maio e 31 de julho de 2026. Por se tratar de uma participação voluntária, os resultados dizem respeito exclusivamente aos respondentes e não devem ser interpretados como uma representação estatística de todos os jornalistas da Serra Gaúcha. Ao sistematizar informações sobre perfil, formação, trajetórias, condições de trabalho, satisfação profissional e perspectivas de futuro, a publicação estabelece uma base para novas pesquisas e discussões sobre o jornalismo regional.
Acesse o relatório completo
O relatório do 1º Censo do Jornalismo da Serra Gaúcha 2026 está disponível gratuitamente para consulta e download aqui.




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